Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
21-07-2017 | Walkiria Capusso

Eu com Você - * Por Walkíria Capusso


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* Por Jorge Azevedo e Walkíria Capusso

Interessante. A felicidade não era para ser um prêmio depois de insana busca. Era para ser consequência de momentos, mas, nós buscamos a felicidade como objetivo e não a procuramos como finalidade. Temos que ser felizes, não importa com quem. Precisamos ter alguém para ser feliz, não importa como. Está errado. Nós somos felizes desde o momento em que nascemos. Não é uma felicidade respirar ar depois de tanto tempo respirando amônia? Não é uma felicidade ver a luz depois de tanto tempo vivendo na escuridão? Não é uma felicidade ouvir som depois de tanto viver em completo silencio? Não é uma felicidade ter todo esse espaço depois de tento tempo vivendo mergulhado numa bolsa?

 

Somos felizes, mas jogamos a felicidade para cantos. Deixamos, ela, escondida nos armários, junto de roupas que julgamos velhas e gastas, junto a sapatos rotos e sem brilho. A felicidade não existe em roupas caras, sapatos caros, restaurantes caros. Ela não está nas cadeiras de teatros ou em telas estupendas de cinemas. Imaginamos a felicidade saindo de caixas de joias assinadas por designer famoso. Muitas vezes deixamos a felicidade escapulir dos nossos dias simplesmente porque achamos que a felicidade só existe em corpos. Que vício feio esse nosso vício de achar que ser feliz só pode ser acompanhado.

 

A felicidade está nas coisas simples. No olhar, no dar uma esmola, no receber um conselho. Na inocência da criança, na sensualidade da flor. Está na alegria de conversar com Deus, entrar numa igreja e poder rezar uma oração agradecendo e nem sempre pedindo. Felicidade está no caminhar nas ruas sem medo de quem vem atrás. Não precisar fugir de contas e nem driblar credores. Felicidade está na entrada do prédio, no sorriso esfuziante de um vizinho, no abraço amigo de um colega. E quando alguém nos telefona preocupados porque não nos viu ontem, isto é felicidade. E quando alguém pede nossos ombros e nos confia suas dores e suas mágoas, isso é felicidade.

 

Precisamos deixar de imaginar que a felicidade só é possível se o homem tem uma mulher ou se uma mulher tem um homem. Sexo todos os dias não significa felicidade. Orgia não quer dizer feliz. Passear de mãos dadas vendo o Sol nascer ou se por. Sentar na praça comendo pipoca ou algodão doce, falando de problemas e soluções.  Ir para a casa de um filho brincar com o neto. Ir para casa de um irmão brincar com o sobrinho. Ir para um hospital fazer companhia a um enfermo desconhecido. Isso nos faz feliz. Isso também é felicidade. Não precisamos ter conta homérica em bancos para sermos felizes, se isso fosse uma condição, os milionários não sofriam, não choravam, não se entregavam às drogas, não se divorciavam e nem cometiam crimes. Se fosse necessária roupa nova e bonita, para ser feliz, aquela mocinha no interior de Sergipe não apareceria na televisão dizendo que conheceu a felicidade no momento que recebeu um livro vindo de alguém do interior de São Paulo através de uma ONG qualquer.

 

Felicidade é saber que somos importantes para alguém, sem a preocupação do quanto valemos para a sociedade. Isso para mim é felicidade. Saber que você é importante para mim e que eu sou importante para você.

 

                                              Jorge de Azevedo é professor, poeta, escritor, crítico literário.

 


Walkiria Capusso

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