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, 20 de Agosto de 2017
15-06-2017

Desde 2012, falsa advogada usava ‘índios fantasmas’ para aplicar golpes em MS


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 A falsa advogada presa na Operação Raposa Kaiowá, na manhã desta quarta-feira (14), usava ‘índios fantasmas’ para conseguir benefícios do previdência social e empréstimos consignados em toda região de Ponta Porã, MS. A estelionatária agia desde 2012 e causou um prejuízo de mais de R$ 600 mil aos cofres públicos.

Segundo o delegado responsável pela ação, Felipe Menezes, da Delegacia da Polícia Federal em Ponta Porã, as equipes cumpriram mandado de busca e apreensão no escritório e na casa da estelionatária e também cumpriram o mandado de prisão preventiva em seu nome, que não foi divulgado.

Inúmeros documentos originais foram apreendidos na casa da suspeita, o que confirmou a polícia que ela era a mentora do crime. As investigações apontaram que a mulher aliciava índios de várias aldeias da região, mas usava nomes falsos para eles e forçava a ‘fabricação’ de novos documentos para as fraudes.

Todo o esquema começava com a falsificação de documentos da Funai. A partir daí a estelionatária levava o índio até o cartório para fazer um registro civil. Com isso, documentos originais eram produzidos com nomes falsos e assim ela conseguia dar entrada nos benefícios do INSS e em empréstimos consignados.

Os documentos ficavam com a falsa advogada, assim, as vítimas só podiam ter acesso ao dinheiro com ajuda dela. Segundo o delegado, quando os documentos ficavam prontos, a estelionatária entrava com o pedido de aposentadoria e também, em alguns casos, de pensão por morte.

Com os direitos garantidos, ela usava os índios para conseguir empréstimos consignados com facilidade. Parte do dinheiro era entregue aos ‘beneficiários’ a outra era embolsada pela falsa advogada. Os primeiros registros dos crimes encontrados pela Polícia Federal durante as investigações foram em 2012, na época apenas com empréstimos.

Com o tempo, conforme Menezes, a estelionatária ‘evoluiu e passou a agir na previdência’. A registros do golpe em vários municípios de Mato Grosso do Sul.

Com acesso aos documentos originais apreendidos no escritório da mulher, a polícia espera identificar novas fraudes e ‘mapiar’ a ação da suspeita. A PF ainda investiga o envolvimento de índios no crime. "São muitas vítimas, mas algumas indígenas atuavam como aliciadores".

A suspeita ainda não foi ouvida e a PF acredita que ela sobrevivia dos golpes que aplicava. Nenhum documento, verdadeiro ou falso, que comprovasse a formação em advocacia da mulher foi encontrado, mas os policiais apreenderam uma tabela de honorários da OAB que segundo relatos, sempre estava com a falsa advogada.

A operação

A operação foi denominada Raposa Kaiowá, em alusão "à característica traiçoeira e oportunista das raposas na captura de suas vítimas, a qual se assemelha à astúcia utilizada pela falsa advogada no trato com indígenas". O nome ainda remete à Operação Coiote Kaiowá, deflagrada em 2015, no município de Amambai.

A operação foi realizada pela Delegacia da PF de Ponta Porã, em conjunto com a Coinp (Coordenação de Inteligência Previdenciária do Ministério da Fazenda) e com o MPF (Ministério Público Federal).



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